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Corrida para Iniciantes

04/06/2018

Correr faz bem para a saúde em diversos aspectos. A modalidade aumenta o condicionamento físico, fortalece os músculos, ajuda a emagrecer, combate a insônia, auxilia no controle do colesterol e previne a osteoporose. De quebra, inunda o organismo do corredor com endorfina, hormônio que causa sensação de bem-estar.

 

Para obter esses benefícios, no entanto, é preciso tomar alguns cuidados. Se uma pessoa não estiver preparada para correr, pode desenvolver lesões ou, pior ainda, agravar problemas cardíacos pré-existentes.

 

Pessoas sedentárias ou com doenças crônicas, como hipertensão e diabetes, devem fazer um teste ergométrico antes de começar a correr. “O exame é uma avaliação cardiológica feita por um teste de esforço, para identificar como o organismo reage ao exercício. Dependendo do resultado, algumas pessoas podem precisar de acompanhamento médico para praticar a corrida”, afirma o educador físico Bruno Gualano, professor da Universidade de São Paulo (USP).

 

Largada – A preparação também inclui um trabalho de fortalecimento muscular, principalmente nas pernas e na região do core, que compreende o abdômen e a lombar. De acordo com Paulo Correia, fisiologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a cada salto que se dá na corrida, uma perna precisa suportar duas vezes o peso do corpo. “Caso a pessoa não se prepare adequadamente, podem surgir problemas crônicos na coluna, joelhos e tornozelos”, diz.

 

Com a musculatura reforçada, é hora de começar a correr, mas gradativamente. A maneira mais eficiente é alternar caminhada e corrida e manter a rotina de treino. Correr 15 minutos cinco vezes por semana ou trinta minutos três vezes podem surtir efeito em apenas quinze dias.

 

1. Fortalecer a musculatura

Os músculos das pernas e do core, região que compreende o abdômen e a lombar, são os mais utilizados durante a corrida. Por isso, precisam ser exercitados para evitar lesões nas articulações, tendões e ligamentos. “A corrida é um esporte de impacto. Músculos fortalecidos evitam lesões ortopédicas”, diz Rafael Baptista, professor da Faculdade de Educação Física e Ciências do Desporto da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). A falta de fortalecimento pode causar lesões agudas ou crônicas que afastam o praticante da corrida.

 

2. Escolher um tênis adequado

O melhor tênis para a corrida, principalmente para quem está começando, não é o mais caro da loja. Prefira modelos com solado macio para absorver o impacto e, assim, evitar lesões nas articulações, principalmente no joelho.

 

3. Começar pela esteira

Para quem nunca praticou a corrida, a esteira pode ser a porta de entrada para a modalidade. Em comparação com a rua, o equipamento facilita a prática por absorver parte do impacto e ditar o ritmo. “Correr na rua é mais difícil devido ao solo duro, a resistência do vento e fatores ambientais como temperatura", diz Rafael Baptista. "A pessoa pode começar a correr na esteira, e gradativamente, com a orientação de um profissional de educação física, passar para a rua.”

 

4. Intercalar caminhada e corrida

A maioria das pessoas não tem preparo físico para correr assim que começa a praticar o esporte, por isso deve fazer uma transição gradativa da caminhada para a corrida. “Intercalar um pouco de corrida com caminhada fará o praticante adquirir condicionamento músculo esquelético e cardiorrespiratório mais eficientemente”, diz Flavia Meyer, médica do esporte e professora da Escola de Educação Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (URFGS). Os primeiros treinos devem priorizar a duração, não a intensidade.

 

5. Treinar no mínimo três vezes por semana

A frequência de treinamento deve ser contínua para o praticante avançar no esporte. Se o treino for realizado todos os dias por 15 minutos, em uma semana será possível notar uma evolução. Caso a pessoa corra três vezes por semana, os resultados começam em 15 dias. Tanto a musculatura quanto o sistema cardiopulmonar conseguem se adaptar mais rapidamente ao esporte se a frequência for constante.

 

6. Alongar-se

Fazer no mínimo três sessões de alongamento por semana melhora a mobilidade articular e a flexibilidade, evitando o aparecimento de lesões. “Quem corre deve conseguir colocar o pé em cima de uma mesa, com as duas pernas estendidas e o pé de apoio virado para o móvel, sem sentir dor", diz Paulo Correia. "Essa condição é sinal de que a pessoa tem a flexibilidade mínima necessária para praticar o esporte sem muito risco de lesão.”

 

7. Não ultrapassar os limites

Exagerar na intensidade da corrida não é a melhor forma de começar na modalidade. O excesso pode causar lesões nas articulações e fadiga extrema. “O ideal é estabelecer o limite de 70% da frequência cardíaca máxima”, diz Paulo Correia, fisiologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Pode parecer monótono no começo, mas, conforme os treinos evoluem, a pessoa consegue correr num ritmo forte sem que a frequência cardíaca suba tanto.

 

Fontes: Bruno Gualano, educador físico e professor da Universidade de São Paulo (USP), Paulo Correia, fisiologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Flavia Meyer, médica do esporte e professora da Escola de Educação Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (URFGS), Rafael Baptista, professor da faculdade de Educação Física e Ciências do Desporto da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).

 

https://veja.abril.com.br/saude/guia-para-iniciantes-como-comecar-a-correr/

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